{"id":1056,"date":"2012-03-01T00:00:00","date_gmt":"2012-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1056"},"modified":"2015-12-04T19:19:05","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:05","slug":"o-fim-da-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1056","title":{"rendered":"O fim da \u00e9tica?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Fernando Costa Lima, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/o-fim-da-etica=f649705\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/VisaoE163.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nos idos de 2000, o historiador e fil\u00f3sofo italiano Umberto Eco foi convidado a dar a sua \u201cvis\u00e3o do futuro\u201d na sess\u00e3o plen\u00e1ria de abertura da Reuni\u00e3o Anual do World Economic Forum, em Davos.<br \/>\nA dado passo da sua interven\u00e7\u00e3o, Umberto Eco disse: \u201cUma vez que j\u00e1 esclareci que n\u00e3o sou um profeta, deixem-me tentar prever alguns poss\u00edveis rumos das coisas para o pr\u00f3ximo s\u00e9culo (j\u00e1 que n\u00e3o estou preparado para ir para l\u00e1 desse horizonte temporal\u201d.<!--more--><br \/>\nEntre v\u00e1rias \u201cprevis\u00f5es\u201d fez a seguinte:<br \/>\n\u201cO fim da \u00e9tica. Qualquer doutrina moral consiste em apresentar um modelo de comportamento que cada um de n\u00f3s deve tentar imitar. Da\u00ed a fun\u00e7\u00e3o modeladora do santo, do s\u00e1bio, do guru, do her\u00f3i. A virtude do modelo deve ser dif\u00edcil de emular, \u00e9 por isso que a \u00e9tica era sempre uma arte t\u00e3o dif\u00edcil. Agora, acontece que a televis\u00e3o tende cada vez mais a apresentar como modelos pessoas normais, de tal modo que n\u00e3o h\u00e1 esfor\u00e7o nenhum em sermos iguais a eles. N\u00f3s queremos ser como eles porque eles receberam a gra\u00e7a de aparecer na televis\u00e3o. Em muitos casos haver\u00e1 pessoas que se tornam modelos n\u00e3o por causa do seu comportamento normal, mas antes por causa dos seus pecados espectaculares (desde que estes pecados lhes tenham dado visibilidade e sucesso). Assim, a Monica Lewinsky ser\u00e1 um modelo mais forte (e mais f\u00e1cil) do que a Florence Nightingale ou a Madre Teresa de Calcut\u00e1.<br \/>\nPor isso mesmo o sucesso \u00e9tico (a procura do Bem) n\u00e3o ter\u00e1 em breve qualquer liga\u00e7\u00e3o com a procura da virtude, mas apenas com a luta para ser visto.\u201d<br \/>\n(Tradu\u00e7\u00e3o livre do autor do texto da interven\u00e7\u00e3o de Umberto Eco transcrita in www.davosnewbies.com\/2000\/02\/08\/umberto-eco-in-davos\/)<br \/>\nTudo isto vem a prop\u00f3sito de algumas reflex\u00f5es por vezes feitas sobre o comportamento \u00e9tico das pessoas na nossa sociedade de hoje. Tanto na sua vida pessoal e social, como na vida profissional.<br \/>\nN\u00e3o vou agora olhar para o comportamento actual das pessoas em sociedade, mas t\u00e3o s\u00f3 preocupar-me com um aspecto fundamental, em especial em \u00e9pocas de crise, e que tem a ver com a \u00e9tica nos neg\u00f3cios.<br \/>\nNa minha vida profissional tenho ouvido demasiados relatos de casos que me levam a pensar que a \u00e9tica nos neg\u00f3cios parece ser algo que se encontra em extin\u00e7\u00e3o. E por vezes vindos de empresas e empres\u00e1rios que deveriam ser aut\u00eanticos modelos para os seus concidad\u00e3os. \u00c9 verdade que, em muitos casos, \u00e9 o Estado que vem criar regras e leis que, em boa verdade, seriam desnecess\u00e1rias se as empresas e os empres\u00e1rios tivessem um comportamento eticamente irrepreens\u00edvel. Estou, por exemplo, a lembrar-me de quando o Estado teve que publicar uma lei a obrigar os bancos a fazer o arredondamento da taxa de juro \u00e0 mil\u00e9sima no cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o. Mas poder\u00edamos citar dezenas de outros exemplos, por exemplo na rela\u00e7\u00e3o entre fornecedores e clientes, em determinados sectores de actividade econ\u00f3mica.<br \/>\nLei (e o seu cumprimento) n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que \u00e9tica. Por isso defendo que, em vez de criarmos leis umas atr\u00e1s das outras, paremos um pouco para pensar o que fazer, j\u00e1 que o mundo tal como o conhecemos quando \u00e9ramos jovens j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo, a escola j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma e acima de tudo a fam\u00edlia (e por vezes a igreja), enquanto elemento fundamental do enraizamento de princ\u00edpios e valores \u00e9ticos parece j\u00e1 n\u00e3o ser a mesma.<br \/>\nVoltando ao in\u00edcio. Ser\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 preciso esperar pelo fim do s\u00e9culo XXI para perguntar \u201cA \u00e9tica acabou\u201d? Precisamos de fazer mais para que esta \u201cprofecia\u201d de Umberto Eco n\u00e3o se realize.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Costa Lima, Vis\u00e3o on line, Nos idos de 2000, o historiador e fil\u00f3sofo italiano Umberto Eco foi convidado a dar a sua \u201cvis\u00e3o do futuro\u201d na sess\u00e3o plen\u00e1ria de abertura da Reuni\u00e3o Anual do World Economic Forum, em Davos. 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