{"id":1047,"date":"2011-12-22T00:00:00","date_gmt":"2011-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1047"},"modified":"2015-12-04T19:19:07","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:07","slug":"ola-pedro-passos-coelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1047","title":{"rendered":"Ol\u00e1 Pedro [Passos Coelho]!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Henrique Santos, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/ola-pedro-passos-coelho=f639970\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/VisaoE153.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nem sempre os bons exemplos v\u00eam de cima, mas, de quando em vez, eis algum que nos d\u00e1 mesmo jeito. Descobri uma missiva que ainda n\u00e3o chegou \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social, e aproveita-a logo. N\u00e3o digo quem ma forneceu, nem quem s\u00e3o o remetente e o destinat\u00e1rio, mas fica o essencial, o resto est\u00e1 em segredo\u2026 de justi\u00e7a.<!--more--><br \/>\n\u201cOl\u00e1 Pedro,<br \/>\nEspero que esta carta te v\u00e1 encontrar bem a ti e aos teus. N\u00f3s, aqui pela terra, c\u00e1 vamos andando na ordem do costume. Pelo que vejo na televis\u00e3o est\u00e1s um pouco cansado, mas parece-me bem tudo o que tens feito. \u00c9 a crise, bem sei! At\u00e9 eu, que j\u00e1 me reformei h\u00e1 uns anitos, estou a levar no p\u00ealo.<br \/>\nLembras-te quando and\u00e1vamos na escola e eras o sabich\u00e3o? \u00c9 com orgulho que agora vejo o meu coleguinha nos corredores do poder, nos corredores n\u00e3o, corrijo, mesmo no poder. Ao menos assim sei quem manda no meu dinheiro (pronto estava a brincar!). Sei que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil estar desse lado, mas olha que deste, se continuas assim, ainda tenho de voltar a trabalhar, e n\u00e3o me apetece nada.<br \/>\nNesta \u00e9poca de Natal escrevo-te sempre um postalzito, mas como n\u00e3o encontrei nenhum \u00e0 venda com fabrico em Portugal, resolvi recorrer a uma simples carta, escrita na m\u00e1quina de escrever HCESAR, que \u00e9 portuguesa! (lembras-te das aulas de dactilografia, que risota!). Telefonar-te tamb\u00e9m n\u00e3o posso, pois telefone fixo n\u00e3o tenho, e o raio dos telem\u00f3veis s\u00e3o todos estrangeiros\u2026 Eu bem tento seguir as recomenda\u00e7\u00f5es do teu Governo, mas isto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Tenho uma vizinha que at\u00e9 brinca: \u201cOh vizinho para que est\u00e1 t\u00e3o preocupado em comprar coisas portuguesas quando at\u00e9 o nosso dinheiro \u00e9 l\u00e1 das Europas?\u201d (T\u00e3o engra\u00e7ada este senhora!)<br \/>\nN\u00e3o me queria alongar nesta carta, mas sabes, nestes \u00faltimos dias fiquei um pouco preocupado com o que ouvi. Tenho dado umas aulitas na Universidade S\u00e9nior c\u00e1 da terra (eh eh, aqueles velhotes todos s\u00e3o muito simp\u00e1ticos, eu sou o mais novo que por l\u00e1 anda), e puseram-me a dar umas aulas sobre gest\u00e3o\/economia. N\u00e3o percebo muito, mas como sabem que tenho forma\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia na \u00e1rea, l\u00e1 fui estudando, e no \u00faltimo ano tentado fazer o melhor que posso. Ora ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que um aluno me confrontou com um problema que eu pr\u00f3prio fiquei um pouco preocupado e sem reposta na hora (pois eles sabem que eu te conhe\u00e7o e at\u00e9 gozam comigo se n\u00e3o me arranjas um emprego. Enfim,\u2026 bem lhes explico que sou reformado, mas eles s\u00e3o uns brincalh\u00f5es\u2026), mas adiante\u2026, um deles, ao ler a not\u00edcia que tinhas anunciado (aquela em que falavas que havia um excedente de dois mil milh\u00f5es de euros, l\u00e1 por causa do fundo de pens\u00f5es da banca), perguntou-me se isso n\u00e3o seria manipula\u00e7\u00e3o de resultados, como os gestores das grandes empresas fazem (os c\u00e3es grandes, como eles dizem).<br \/>\nOlha que n\u00e3o foi nada f\u00e1cil explicar-lhe. At\u00e9 eu fiquei a pensar duas vezes: \u201cSer\u00e1 que o grande Pedro se p\u00f4s para a\u00ed a dizer que teve resultados excedent\u00e1rios para ficar bem na fotografia, e depois quem vier no futuro l\u00e1 resolve o problema da responsabilidade assumida pela transfer\u00eancia do fundo de pens\u00f5es da banca?\u201d, pensei eu. E isto entre outras quest\u00f5es. Mas logo vi que n\u00e3o era bem assim\u2026<br \/>\nQuando te ouvi naquela entrevista fiquei muito mais descansado, se estivesses a agir como um manipulador de resultados n\u00e3o vinhas para a rua justificar o desvio, simplesmente dizias que t\u00ednhamos um resultado extraordin\u00e1rio muito bom, e nada mais explicavas. E foi nesta perspectiva que l\u00e1 convenci os alunos da tua bondade, frisando que podias muito bem estar caladinho, aplicar o dinheiro nas necessidades mais prementes e nada dizeres. Mas n\u00e3o, tiveste a coragem de vir a p\u00fablico deixar tudo claro, expor e justificar. Estou mesmo muito orgulhoso de ti. Mas cuida bem do meu fundo, eu tamb\u00e9m tenho uma reformita de um banco,\u2026e bem bastam as ac\u00e7\u00f5es que comprei desse banco em que trabalhava estarem com uma cota\u00e7\u00e3o t\u00e3o baixa, que talvez j\u00e1 n\u00e3o recupere novamente o dinheiro.<br \/>\nBem, n\u00e3o te quero ma\u00e7ar mais, s\u00f3 te quis dar aquele alerta da manipula\u00e7\u00e3o de resultados, porque isso, nas empresas, pode trazer consequ\u00eancias bem nefastas, como sabes. O problema do gestor tentar ter excelentes resultados pode n\u00e3o significar que a empresa esteja bem ou no bom caminho, e se ele sabe que vai ser substitu\u00eddo, ent\u00e3o\u2026E \u00e0s p\u00e1ginas tantas ainda aparece por a\u00ed um comentador da TV a chatear-te com isto, isto sem falar da oposi\u00e7\u00e3o\u2026<br \/>\nVou mesmo despedir-me de ti, n\u00e3o sem antes te deixar um forte abra\u00e7o de Festas Felizes, e que o pr\u00f3ximo ano te traga os maiores sucessos. Tamb\u00e9m n\u00e3o posso ficar a escrever muito mais tempo\u2026 por causa do pre\u00e7o da luz e do IVA, aqui a minha mulher adaptou a ilumina\u00e7\u00e3o com umas lamparinas a azeite (lembras-te daquelas que se usavam para alumiar os santos!), e apesar de tantas oliveiras que temos em Portugal, o raio de grande parte do azeite \u00e9 espanhol ou italiano\u2026enfim, n\u00e3o percebo. Ela tamb\u00e9m exagera nesta coisa da luz porque nem pagamos muito (ela \u00e9 funcion\u00e1ria da EDP), mas diz que tem de dar o exemplo. Um dia destes vai gastar t\u00e3o pouca luz, t\u00e3o pouca luz, que a EDP ainda lhe vai pagar a ela mensalmente pela luz que n\u00e3o gasta!<br \/>\nEu sei que sou sempre um brincalh\u00e3o e exagerado, mas com tantas coisas s\u00e9rias que tens para resolver, achei que te devias animar um pouco ao fim do dia com a minha carta. Quando vieres c\u00e1 n\u00e3o tragas o teu amigo Dr. Gaspar, sen\u00e3o ainda me \u201climpa a horta\u201d, anda tu e a fam\u00edlia, para uma boa patuscada. LOL (como diz o meu neto).<br \/>\nUm grande Abra\u00e7o do teu amigo brincalh\u00e3o,\u201d<br \/>\nNotas:<br \/>\nO objectivo de trazer a p\u00fablico esta carta \u00e9 justamente conseguir que todos possamos criar um esp\u00edrito cr\u00edtico construtivo em torno das quest\u00f5es econ\u00f3micas, que n\u00e3o dominamos, mas que, de forma mais descontra\u00edda, facilmente conseguimos assimilar (qui\u00e7\u00e1 ainda trouxe mais confus\u00e3o!). Mas esse \u00e9 o esp\u00edrito, obrigar \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, \u00e0 pesquisa, \u00e0 procura, s\u00f3 assim seremos capazes de ter uma opini\u00e3o pr\u00f3pria e de compreender a decis\u00e3o dos outros.<br \/>\nSe algu\u00e9m levantar uma quest\u00e3o sobre a missiva, nem que seja para dizer que o que l\u00e1 consta n\u00e3o \u00e9, nem nunca foi \u201cmanipula\u00e7\u00e3o de resultados\u201d, j\u00e1 valeu a pena.<br \/>\nPe\u00e7o desculpa ao Primeiro-Ministro por ter de publicar uma carta a ele dirigida, mas, de momento, era a melhor forma de conseguir os meus objectivos.<br \/>\n(Pronto assumo, a carta \u00e9 falsa!)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique Santos, Vis\u00e3o on line, Nem sempre os bons exemplos v\u00eam de cima, mas, de quando em vez, eis algum que nos d\u00e1 mesmo jeito. Descobri uma missiva que ainda n\u00e3o chegou \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social, e aproveita-a logo. 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