{"id":1046,"date":"2011-12-15T00:00:00","date_gmt":"2011-12-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1046"},"modified":"2015-12-04T19:19:08","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:08","slug":"a-proposito-de-iliteracia-financeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1046","title":{"rendered":"A prop\u00f3sito de iliteracia financeira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/-a-proposito-de-iliteracia-financeira=f638832\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/VisaoE152.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Um recente inqu\u00e9rito de opini\u00e3o promovido pelo Banco de Portugal veio comprovar aquilo que j\u00e1 se adivinhava, mas que a conjuntura econ\u00f3mica favor\u00e1vel que se viveu at\u00e9 h\u00e1 poucos anos n\u00e3o tinha permitido ver em toda a sua crueza: que h\u00e1 muitos portugueses incapazes de fazerem \u201ccontas \u00e0 vida\u201d. Tendo em considera\u00e7\u00e3o o elevado endividamento m\u00e9dio das fam\u00edlias, esta incapacidade deixa antever que muitas estar\u00e3o hoje insolventes, ou quase, por n\u00e3o terem, no momento certo, sabido discernir as reais consequ\u00eancias das decis\u00f5es financeiras tomadas. <!--more-->Eis dois dados desse inqu\u00e9rito que corroboram o que se acaba de referir: 40% dos portugueses n\u00e3o compara, ao contratar um cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, as taxas de juro de forma a optar pela melhor; na hora de escolher, 41% dos consumidores opta pelo cr\u00e9dito que oferece o valor mais baixo da presta\u00e7\u00e3o mensal.<br \/>\n2. Na semana em que escrevo, o Ministro das Finan\u00e7as, questionado a prop\u00f3sito do montante de juros que o pa\u00eds vai ter de pagar se usar, na totalidade, o empr\u00e9stimo da troika, no montante de 78000 milh\u00f5es de euros, respondeu: 34400 milh\u00f5es de euros. Nesse dia e no seguinte os media fizeram manchetes com o n\u00famero, nalguns casos acrescentando que esse montante representava cerca de 44% do valor do empr\u00e9stimo.<br \/>\n3. A sali\u00eancia exagerada dada ao montante do empr\u00e9stimo e \u00e0quela percentagem (sem sentido financeiro), ofuscaram tudo o resto. De pouco valeu que o ministro tivesse, na altura, fornecido informa\u00e7\u00e3o sobre as taxas de juro que os montantes tomados de empr\u00e9stimo venciam, oscilando entre 4 e 5 por cento. Ningu\u00e9m deu sali\u00eancia a esse detalhe. T\u00e3o pouco foi tido em considera\u00e7\u00e3o, nos coment\u00e1rios produzidos, que o empr\u00e9stimo se estende no tempo, ocorrendo o respetivo reembolso entre os sete e os doze anos. Ficou meio mundo, se n\u00e3o mais, escandalizado. Os improp\u00e9rios choveram, de modo particular nos \u201cblogs\u201d dos media, onde os visitantes aproveitaram para \u201ccavalgar a onda\u201d e deixarem insultos a eito. N\u00e3o escapou ningu\u00e9m, da troika ao governo, da uni\u00e3o europeia aos banqueiros. Quanta iliteracia financeira nesses coment\u00e1rios! Poucos, muito poucos, foram os que tiveram em considera\u00e7\u00e3o um dos fundamentos b\u00e1sicos do c\u00e1lculo financeiro: subjacente ao juro pago por um empr\u00e9stimo est\u00e1, sempre, o montante de capital subjacente a esse empr\u00e9stimo e um prazo temporal. Quanto maior for cada uma destas determinantes maior ser\u00e1 o montante do juro a pagar.<br \/>\n4. Julgo que os media podem ter um papel relevante na educa\u00e7\u00e3o financeira dos cidad\u00e3os. N\u00e3o necessariamente quando se limitam a \u201clan\u00e7ar n\u00fameros\u201d, sem os enquadrar e explicar. Quantas interessantes manchetes poderiam ter feito nos \u00faltimos anos com os n\u00fameros da d\u00edvida p\u00fablica \u2026 que teriam ajudado o comum dos cidad\u00e3os a ter uma maior consci\u00eancia do caminho (errado) que o pa\u00eds estava a percorrer. Por exemplo, nos anos de 2009 e 2010 a d\u00edvida p\u00fablica cresceu cerca de 20% do total da riqueza produzida no pa\u00eds anualmente (o PIB), o que em termos monet\u00e1rios representou mais de 33000 milh\u00f5es de euros. Supondo uma taxa de juro m\u00e9dia de 5% e que o pa\u00eds demorar\u00e1 25 anos para liquidar esse montante (o que \u00e9 uma previs\u00e3o temporal otimista), os juros que se ter\u00e3o de pagar por esse acr\u00e9scimo, em termos globais, ascender\u00e3o a mais de 41000 milh\u00f5es de euros. Juros, s\u00f3. Para al\u00e9m disso, ter-se-\u00e1, sempre, de reembolsar o capital tomado de empr\u00e9stimo.<br \/>\n5. S\u00f3 mais um n\u00famero, este bem atual. O or\u00e7amento para 2012 contempla, para pagamento de juros respeitantes a esse ano, mais de 8000 milh\u00f5es de euros. Para se ter uma melhor ideia da grandeza deste n\u00famero, acrescenta-se que ele representa cerca de 5% do PIB; \u00e9 igual ao total das despesas com pessoal do Estado; \u00e9 superior ao gasto previsto com a sa\u00fade; ultrapassa o gasto com a educa\u00e7\u00e3o em mais de 1200 milh\u00f5es de euros. Um n\u00famero avassalador, sem d\u00favida. T\u00e3o mais avassalador quanto se pense que: i) a menos que a taxa de juro baixe (e a tend\u00eancia parece ir no sentido contr\u00e1rio); ii) ou que se consiga reduzir o montante da d\u00edvida, o que parece ser dif\u00edcil (as \u201cjoias da coroa\u201d do universo empresarial p\u00fablico j\u00e1 foram vendidas; n\u00e3o se antev\u00ea crescimento econ\u00f3mico substancial e a cobran\u00e7a de receita fiscal est\u00e1 nos limites do suport\u00e1vel), o pa\u00eds vai ter de conviver com o pagamento anual desse montante \u201cad aeternum\u201d ou, pelo menos, durante um prazo a perder de vista.<br \/>\n6. Por mais que procure explica\u00e7\u00f5es, por mais atenuantes que tente alinhavar, n\u00e3o consigo perceber como foi poss\u00edvel que os nossos governantes \u2013 os pol\u00edticos e os tecnocratas do Banco de Portugal \u2013 permitissem que o pa\u00eds chegasse a este ponto de (quase) sem retorno. Qualquer procura de explica\u00e7\u00e3o deixa de fazer o m\u00ednimo sentido quando muitos desses governantes que, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, contribu\u00edram para lan\u00e7ar o pa\u00eds no abismo financeiro em que est\u00e1 mergulhado, continuam a afirmar, por estas ou outras palavras de id\u00eantico teor, que \u201ch\u00e1 vida para al\u00e9m do d\u00e9fice\u201d ou de que \u201cn\u00e3o podemos ceder ao economicismo\u201d.<br \/>\n7. Nega\u00e7\u00e3o da realidade? Iliteracia financeira? Eu sei l\u00e1 como definir tais comportamentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, 1. 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