{"id":1043,"date":"2011-11-24T00:00:00","date_gmt":"2011-11-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1043"},"modified":"2015-12-04T19:19:09","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:09","slug":"crise-actual-culpados-e-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1043","title":{"rendered":"Crise actual: culpados e v\u00edtimas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Oscar Afonso, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/crise-actual-culpados-e-vitimas=f634971\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/VisaoE149.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como o t\u00edtulo indica, na cr\u00f3nica de hoje falarei naqueles que, em minha opini\u00e3o, s\u00e3o os principais culpados da actual crise e naqueles que infelizmente s\u00e3o as principais v\u00edtimas. Indo directo ao assunto, considero que h\u00e1 culpados internos e externos, e que as v\u00edtimas s\u00e3o sobretudo os desempregados, os funcion\u00e1rios p\u00fablicos dedicados, os filhos destes dois grupos de indiv\u00edduos, e os reformados.<!--more--><br \/>\nNa minha opini\u00e3o, os principais culpados internos s\u00e3o naturalmente os \u00faltimos (des)Governos, pela anu\u00eancia na acumula\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrios (desemprego, d\u00e9fice comercial, d\u00e9fice p\u00fablico) e mordomias. Se o mal n\u00e3o \u00e9 recente, foi sobretudo nos \u00faltimos anos que tudo se complicou, em face de taxas de juro baixas e de (aparente) aus\u00eancia de limita\u00e7\u00f5es ao cr\u00e9dito. A estrat\u00e9gia de empr\u00e9stimos para pagar juros e inutilidades substituiu a no\u00e7\u00e3o de sustentabilidade financeira. S\u00f3 para citar alguns exemplos, recorde-se a realiza\u00e7\u00e3o de obras desnecess\u00e1rias, como o caso de alguns dos est\u00e1dios de futebol, e a intensifica\u00e7\u00e3o das Parcerias P\u00fablico Privadas e SCUTs para todo o lado. Investimentos esses geralmente com rendibilidade garantida pelo Estado acima da rendibilidade econ\u00f3mica. Vigorou, diga-se, a lei do faz-se hoje (\u201cgasta-se\u201d) e amanh\u00e3 logo se v\u00ea (\u201cquem vier que feche a porta\u201d). Recorde-se o desincentivo \u00e0 poupan\u00e7a e o est\u00edmulo ao endividamento das fam\u00edlias (lembre-se da descida das taxas de juro dos certificados de aforro). Recorde-se ainda o caso particular da \u201cnacionaliza\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos\u201d privados do BPN. Quanto \u00e0s mordomias, s\u00e3o in\u00fameros os casos de reformas ostentosas resultantes de ocupa\u00e7\u00e3o de cargos pol\u00edticos em curtos per\u00edodos de tempo, por parte de indiv\u00edduos usualmente incompetentes, e s\u00e3o igualmente in\u00fameras as \u201cchafaricas\u201d p\u00fablicas com conselhos de administra\u00e7\u00e3o com motoristas, sal\u00e1rios principescos, despesas pagas e \u2026 preju\u00edzos. O descalabro culminou no festivo ano de 2009. Nesse ano, para a conserva\u00e7\u00e3o do poder, houve lugar \u00e0 descida da taxa normal do IVA, ao aumento dos sal\u00e1rios acima do poss\u00edvel, \u2026 e at\u00e9 a factura da electricidade se viu temporariamente livre de algumas taxas que, actualmente, representam mais de 30% do custo da factura.<br \/>\nTodo este desperd\u00edcio gerador de d\u00e9fice comercial e d\u00e9fice p\u00fablico, e todas as falsidades para condicionar as expectativas foram insuficientes para travar o aumento do desemprego, a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f3mico e o aumento da d\u00edvida. S\u00f3 quando face aos desequil\u00edbrios acumulados o rating da d\u00edvida baixou e as taxas de juro passaram a registar n\u00edveis impens\u00e1veis foi poss\u00edvel dar conta da situa\u00e7\u00e3o em que nos encontr\u00e1vamos. Se \u00e9 certo que sofremos da incapacidade dos Estados \u00e0 escala global para fazer legisla\u00e7\u00e3o que coloque o sistema financeiro na ordem, porque, nesse caso, os pol\u00edticos no poder ficariam sem o financiamento pol\u00edtico, \u00e9 igualmente verdade que a nossa situa\u00e7\u00e3o actual se deve sobretudo ao (des)Governo interno que nos \u201ccolocou a jeito\u201d.<br \/>\nPerante a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o interna o Estado curvou-se perante a troika e a solu\u00e7\u00e3o tem passado por penalizar os trabalhadores e reformados em geral, e os funcion\u00e1rios p\u00fablicos dedicados em particular. No sector privado a redu\u00e7\u00e3o da actividade econ\u00f3mica tem passado sobretudo pelo aumento dram\u00e1tico do desemprego. Situa\u00e7\u00e3o fat\u00eddica num contexto em que n\u00e3o se antev\u00ea solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Provavelmente a solu\u00e7\u00e3o passar\u00e1 pela emigra\u00e7\u00e3o e, portanto, em muitos casos pela triste separa\u00e7\u00e3o de pais e filhos com o consequente impacto na vida e rela\u00e7\u00e3o familiar. Por sua vez os \u201ccortes\u201d nas pens\u00f5es de reforma, sobretudo nas mais modestas, conjugadas com \u201ccortes\u201d no sector da sa\u00fade n\u00e3o augura nada de bom para esta classe de concidad\u00e3os t\u00e3o carenciada. O sector p\u00fablico relativamente intensivo em trabalho qualificado (j\u00e1 que inclui professores, m\u00e9dicos, ju\u00edzes e outros trabalhadores com curso superior da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica) tem assistido \u00e0 acentuada diminui\u00e7\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o conjugada com o aumento da carga de trabalho. S\u00e3o in\u00fameros os casos de funcion\u00e1rios p\u00fablicos com curso superior que ganham em torno dos 800 euros brutos com tudo inclu\u00eddo e sem descontos, e que raramente conseguem sair do posto de trabalho antes das 20h, desde logo porque houve aposenta\u00e7\u00f5es sem substitui\u00e7\u00e3o. S\u00e3o in\u00fameros os casos de funcion\u00e1rios p\u00fablicos que trabalham sem condi\u00e7\u00f5es em edif\u00edcio degradado, com computadores e sistemas inform\u00e1ticos ultrapassados e com grande responsabilidade, para ganhar cerca de 600 euros l\u00edquidos. S\u00e3o, refira-se ainda, pagadores da totalidade dos impostos devidos e, porque tudo \u00e9 registado, n\u00e3o possuem rendimento por fora, nem isen\u00e7\u00e3o de taxas moderadoras, nem direito a autom\u00f3vel da empresa e nem pagamento de despesas. Se at\u00e9 agora dificilmente podiam, por exemplo, comprar um seguro de sa\u00fade e ir m\u00e9dico desejado, com os \u201ccortes\u201d anunciados come\u00e7a a ser dif\u00edcil educar condignamente os filhos (tal como acontece com os desempregados).<br \/>\nO pior \u00e9 que sem a ajuda (e com a incompet\u00eancia) da Uni\u00e3o Europeia a curvatura perante a troika ir\u00e1 continuar. Resta saber qual \u00e9 o limite!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oscar Afonso, Vis\u00e3o on line, Como o t\u00edtulo indica, na cr\u00f3nica de hoje falarei naqueles que, em minha opini\u00e3o, s\u00e3o os principais culpados da actual crise e naqueles que infelizmente s\u00e3o as principais v\u00edtimas. 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