{"id":1040,"date":"2011-11-03T00:00:00","date_gmt":"2011-11-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1040"},"modified":"2015-12-04T19:19:09","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:09","slug":"direitos-accoes-executivas-e-folhas-de-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1040","title":{"rendered":"Direitos, Ac\u00e7\u00f5es Executivas e Folhas de Papel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Mariana Costa, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/direitos-accoes-executivas-e-folhas-de-papel=f631125\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/VisaoE146.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Numa aula de Filosofia do Direito, na faculdade, o Professor perguntou uma vez aos alunos se preferiam ter direito a um Ferrari, ou um Ferrari, sem ter direito a ele.<br \/>\nSou f\u00e3 confessa de direitos; ali\u00e1s, gosto tanto deles que dedico a minha carreira profissional a estudar como os direitos se adquirem, se transmitem e \u2212 tema de elevad\u00edssima actualidade \u2212 se extinguem. Por isso mesmo, imaginei-me logo a entrar no stand de autom\u00f3veis, orgulhosa portadora do meu direito ao Ferrari.<!--more--><br \/>\nA verdade \u00e9 que n\u00e3o compreendi a pergunta at\u00e9 ter entrado em contacto com o mundo judicial, em particular com os meandros da ac\u00e7\u00e3o executiva em Portugal.<br \/>\nA ac\u00e7\u00e3o executiva \u00e9 um tipo de ac\u00e7\u00e3o judicial que visa a realiza\u00e7\u00e3o coerciva das provid\u00eancias destinadas \u00e0 repara\u00e7\u00e3o do direito violado de um sujeito (1).<br \/>\nNo exemplo acima, admitindo que o meu direito sobre o Ferrari \u00e9 um direito de propriedade e que o actual detentor do autom\u00f3vel se recusa a entregar-mo, mesmo depois de eu ter obtido uma senten\u00e7a que a isso o condena, intento uma ac\u00e7\u00e3o executiva para que o tribunal apreenda judicialmente o Ferrari e posteriormente mo entregue.<br \/>\nOu suponha-se que fa\u00e7o obras em casa e dentro do prazo legal detecto diversos defeitos na obra realizada, por neglig\u00eancia do empreiteiro. Obtendo senten\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o do empreiteiro na elimina\u00e7\u00e3o dos defeitos da obra, caso ele n\u00e3o o fa\u00e7a voluntariamente, intento uma ac\u00e7\u00e3o executiva para presta\u00e7\u00e3o de facto.<br \/>\nOu, situa\u00e7\u00e3o mais comum, se o cliente A me deve \u20ac20.000,00 de mercadorias que lhe entreguei h\u00e1 2 anos, o tribunal j\u00e1 o condenou a pagar-me o montante devido, mas ainda assim ele n\u00e3o o faz, intento uma ac\u00e7\u00e3o executiva para que o tribunal adopte as medidas coercivas necess\u00e1rias (que passam, em regra, pelo acto de penhora) para que eu seja ressarcido por A dos \u20ac20.000,00 a que tenho direito.<br \/>\nOra, uma sociedade como a nossa, que se organiza com base na dicotomia direitos\/deveres, s\u00f3 pode funcionar se funcionarem tamb\u00e9m os mecanismos que asseguram o cumprimento, ainda que coercivo, dos deveres, essencial \u00e0 salvaguarda dos direitos. Caso contr\u00e1rio, os direitos n\u00e3o passar\u00e3o muitas vezes de folhas de papel e essas valem (de) muito pouco.<br \/>\nSegundo dados publicados no Relat\u00f3rio de Propostas de Medidas com vista \u00e0 Redu\u00e7\u00e3o da Pend\u00eancia em Atraso no Dom\u00ednio da Ac\u00e7\u00e3o Executiva C\u00edvel, de Setembro de 2011(2), o n\u00famero de ac\u00e7\u00f5es executivas c\u00edveis pendentes nos tribunais judiciais de 1\u00aa inst\u00e2ncia cresceu de 135.766 em 1993 para 1.186.390, em 31 de Dezembro de 2010.<br \/>\nConsta ainda do mesmo relat\u00f3rio que o n\u00famero de ac\u00e7\u00f5es executivas c\u00edveis findas nos tribunais judiciais de 1\u00aa inst\u00e2ncia em 2010 foi de 164.341 e que a maioria dos processos findos teve uma dura\u00e7\u00e3o superior a dois anos, sendo que apenas 9% se situam no escal\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o at\u00e9 6 meses (3).<br \/>\nUma ac\u00e7\u00e3o executiva lenta e ineficiente \u2013 e que tantas vezes conduz a resultados insatisfat\u00f3rios para o exequente - \u00e9 um convite ao incumprimento intencional pelo devedor e \u00e9 um desincentivo ao investimento s\u00e9rio em Portugal. Isso mesmo \u00e9 percepcionado no recente Programa de Assist\u00eancia Financeira UE\/FMI 2011-2014 a Portugal, que em diversos pontos se refere \u00e0 necessidade (rectius, imperatividade) de melhorar a efici\u00eancia da ac\u00e7\u00e3o executiva c\u00edvel como condi\u00e7\u00e3o de aumento da competitividade nacional (veja-se, a t\u00edtulo de exemplo, o ponto 7.1. do Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Pol\u00edtica Econ\u00f3mica) (4).<br \/>\nRespondeu o Professor:<br \/>\n- N\u00e3o me parece que o seu direito ao Ferrari lhe permita fazer a desloca\u00e7\u00e3o Lisboa\/Porto mais depressa. J\u00e1 o Ferrari\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Costa, Vis\u00e3o on line, Numa aula de Filosofia do Direito, na faculdade, o Professor perguntou uma vez aos alunos se preferiam ter direito a um Ferrari, ou um Ferrari, sem ter direito a ele. 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