{"id":1027,"date":"2011-08-04T00:00:00","date_gmt":"2011-08-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1027"},"modified":"2015-12-04T19:19:12","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:12","slug":"a-elegancia-da-simplicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1027","title":{"rendered":"A eleg\u00e2ncia da simplicidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jo\u00e3o Gomes, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-elegancia-da-simplicidade=f616303\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/VisaoE133.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Thoreau escreveu \u201csimplifica, simplifica\u201d, uma sugest\u00e3o s\u00e1bia mas dif\u00edcil de interiorizar e, especialmente, de p\u00f4r em pr\u00e1tica.<br \/>\nA nossa tend\u00eancia inata para adicionar complexidade a sistemas que podiam, potencialmente, ser mais simples, tem vindo a trazer-nos s\u00e9rios dissabores, como a crise de 2008 bem demonstrou. Uma das consequ\u00eancias da complexidade, neste caso, \u00e9 que dificulta a tarefa de compreender as interdepend\u00eancias entre as v\u00e1rias engrenagens da \u201cm\u00e1quina\u201d ou o impacto da actua\u00e7\u00e3o isolada sobre cada uma delas, o que dificulta a constitui\u00e7\u00e3o de provis\u00f5es realistas.<!--more--><br \/>\nEste tema ocupa-me tempo de antena porque cruzei-me recentemente com um artigo na The Economist que abordava o risco latente no mercado de obriga\u00e7\u00f5es dos EUA. O artigo continha uma cita\u00e7\u00e3o preocupante de um \u201cveterano\u201d deste mercado, que reconhecia a extrema dificuldade em compreender ou antecipar as consequ\u00eancias de um eventual crash.<br \/>\nEste artigo despertou-me a aten\u00e7\u00e3o porque, para al\u00e9m da quest\u00e3o em discuss\u00e3o, o problema da complexidade nas organiza\u00e7\u00f5es e nos processos administrativos ou burocr\u00e1ticos \u00e9 igualmente relevante. Muitas organiza\u00e7\u00f5es investem uma parte significativa do seu esfor\u00e7o di\u00e1rio a executar opera\u00e7\u00f5es desenhadas pelas pr\u00f3prias. Constata-se, contudo, que a complexidade destes processos (e eventuais sub-processos) causa frequentemente um disp\u00eandio de esfor\u00e7o e\/ou tempo superior ao que seria necess\u00e1rio ou ideal. E a possibilidade e necessidade de simplifica\u00e7\u00e3o dos processos s\u00e3o, normalmente, reconhecidas pelos pr\u00f3prios executantes.<br \/>\nOutro problema inerente aos processos complexos \u00e9 a sua particular vulnerabilidade \u00e0 pr\u00e1tica de fraude. Como foi amplamente abordado em cr\u00f3nicas anteriores, um dos vectores essenciais \u00e0 ocorr\u00eancia de uma fraude \u00e9 o da \u201cOportunidade\u201d. Quanto mais complexo for um processo \u2013 quanto maior o n\u00famero de sub-processos e, especialmente, a quantidade de intervenientes internos ou externos \u2013 maior a quantidade e diversidade de oportunidades para subverter o seu funcionamento.<br \/>\nPodemos tomar como exemplo os sistemas de sa\u00fade, onde a complexidade dos c\u00e1lculos de comparticipa\u00e7\u00f5es e cobran\u00e7a, bem como a respectiva valida\u00e7\u00e3o, abrem a porta a m\u00faltiplos esquemas de fraude (e.g. unbundling, upcoding, factura\u00e7\u00e3o m\u00faltipla, entre outros). Tamb\u00e9m a complexidade inerente aos processos de prescri\u00e7\u00e3o, associada \u00e0 interac\u00e7\u00e3o com actores externos, leva a que sejam frequentes esquemas de prescri\u00e7\u00e3o excessiva ou imposs\u00edvel, cobran\u00e7a de valores anormalmente elevados ou redes de favorecimento il\u00edcito.<br \/>\nA participa\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos intervenientes sugere, ainda, que devem utilizar-se mecanismos de supervis\u00e3o e controlos de \u00e2mbito global, j\u00e1 que os diversos participantes tender\u00e3o a preocupar-se exclusivamente com a sua responsabilidade, n\u00e3o detectando problemas que possam ter ocorrido antes ou depois da sua interven\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMuitos processos complexos tendem, tamb\u00e9m, a exibir elevada lat\u00eancia, ou seja, decorre muito tempo entre o seu in\u00edcio e o respectivo t\u00e9rmino. Tempo suficiente para que algu\u00e9m possa cometer uma fraude e desaparecer antes de ser produzido qualquer alerta. Um exemplo \u00e9 a \u201cfraude em carrossel\u201d no IVA que, na Europa, representa perdas fiscais na ordem dos milhares de milh\u00f5es de Euros. O m\u00e9todo explora as vulnerabilidades do processo de isen\u00e7\u00e3o de IVA em exporta\u00e7\u00f5es entre estados membros da Uni\u00e3o Europeia, permitindo a reclama\u00e7\u00e3o de reembolsos de impostos nunca pagos, tirando tamb\u00e9m partido do tempo que decorre entre a recep\u00e7\u00e3o do montante relativo a IVA e a data em que este deve ser entregue ao Estado.<br \/>\nIndependentemente da sua complexidade, os processos podem ser protegidos com controlos que, em cada momento da sua execu\u00e7\u00e3o, validam a correc\u00e7\u00e3o das interac\u00e7\u00f5es realizadas e da informa\u00e7\u00e3o produzida, facilitando a detec\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es an\u00f3malas. A tecnologia pode, facilmente, reduzir a lat\u00eancia da execu\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es e produzir controlos eficientes e automatizados que validam, passo a passo, o progresso dos processos, detectando automaticamente tentativas de subverter o seu correcto funcionamento. Importa, no entanto, considerar que tamb\u00e9m a vertente organizacional da opera\u00e7\u00e3o di\u00e1ria requer preocupa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFinalizando, n\u00e3o quero com isto defender que tudo na opera\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o pode ou deve ser simplificado in extremis. H\u00e1 processos que s\u00e3o necessariamente complexos. E as interac\u00e7\u00f5es com intervenientes externos s\u00e3o absolutamente comuns e inevit\u00e1veis na gest\u00e3o moderna. Sugiro apenas que estes processos devem ser protegidos por controlos eficientes, reduzindo as vulnerabilidades que configuram uma \u201cOportunidade\u201d para a pr\u00e1tica de fraude. \u00c0 semelhan\u00e7a do que ocorre em alguns mercados financeiros, a complexidade dificulta a detec\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o de vulnerabilidades, bem como do impacto da ocorr\u00eancia de problemas \u201cinesperados\u201d. Mas este risco pode - e deve - ser mitigado.<br \/>\nComo recomendava Albert Einstein, \"Make everything as simple as possible, but not simpler\" (\u201cFazer tudo t\u00e3o simples quanto poss\u00edvel, mas n\u00e3o mais simples\u201d).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Gomes, Vis\u00e3o on line, Thoreau escreveu \u201csimplifica, simplifica\u201d, uma sugest\u00e3o s\u00e1bia mas dif\u00edcil de interiorizar e, especialmente, de p\u00f4r em pr\u00e1tica. 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