{"id":1020,"date":"2011-06-16T00:00:00","date_gmt":"2011-06-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1020"},"modified":"2015-12-04T19:19:14","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:14","slug":"ceteris-paribus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1020","title":{"rendered":"Ceteris Paribus&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Rui Henrique Alves, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/ceteris-paribus=f607974\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/VisaoE126.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o que descrevo de seguida passou-se h\u00e1 relativamente pouco tempo, quando ministrava uma forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da Economia. Estava, ent\u00e3o, a distinguir entre as pol\u00edticas conjunturais e as pol\u00edticas estruturais.<!--more--><br \/>\nAs primeiras, como o pr\u00f3prio nome indica, voltam-se para a estabiliza\u00e7\u00e3o da actividade econ\u00f3mica e t\u00eam efeitos de curto prazo, surgindo pelo lado da procura. Devem apresentar car\u00e1cter contra-c\u00edclico, isto \u00e9, serem expansionistas em per\u00edodo de recess\u00e3o e restritivas em per\u00edodo de expans\u00e3o.<br \/>\nAs segundas voltam-se para a acelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f3mico e, a existirem, t\u00eam efeitos no longo prazo, surgindo pelo lado da oferta. Exigem importante vontade pol\u00edtica, n\u00e3o devem mudar com a altera\u00e7\u00e3o do partido no poder ou do ministro no governo, e s\u00e3o dif\u00edceis de implementar, pois lidam com interesses instalados.<br \/>\nNo contexto desta apresenta\u00e7\u00e3o, dizia eu que nos \u00faltimos vinte anos (para ser politicamente imparcial) a pol\u00edtica macroecon\u00f3mica podia ser vista como um s\u00e9rio case study do que se n\u00e3o deve fazer. De facto, ao n\u00edvel conjuntural, gastou-se o que se tinha e o que se n\u00e3o tinha, particularmente em momentos de expans\u00e3o, com a factura a ser cobrada (como agora) em fases de desacelera\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o mesmo de forte contrac\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. Ao n\u00edvel estrutural, se mat\u00e9ria existe bem gasta de h\u00e1 30 anos a esta parte, ela \u00e9 a das ditas \u201cnecess\u00e1rias reformas estruturais\u201d, que sempre esbarram na primeira grande manifesta\u00e7\u00e3o de interesses adversos ou na proximidade de qualquer acto eleitoral relevante.<br \/>\nPerante isto, um dos presentes questionou: \u201cN\u00e3o acha estranho ser assim, quando os Ministros das Finan\u00e7as desse per\u00edodo foram alguns dos mais reputados economistas nacionais, incluindo o actual, que at\u00e9 disse que foi seu Professor de Macroeconomia?\u201d.<br \/>\nConfesso ter ficado algo indeciso quanto ao que responder. Mas que a pergunta fazia todo o sentido, l\u00e1 isso fazia... Teria sido apenas coincid\u00eancia? Seria apenas alguma dose de incompet\u00eancia? Poderia simplesmente acontecer de as teorias macroecon\u00f3micas serem apenas uma fraude? Tantas hip\u00f3teses poderiam afinal ser levantadas...<br \/>\nComecei por tentar a resposta mais habitual neste tipo de situa\u00e7\u00f5es, usando a \u201cdesculpa\u201d dos pressupostos. Afinal, qualquer boa (ou m\u00e1) teoria assenta num conjunto de hip\u00f3teses restritivas, simplificadoras da realidade, as quais, ajudando-a a compreender e explicar, permitem tentar actuar sobre a mesma. O problema est\u00e1 em que, n\u00e3o se verificando os ditos pressupostos e n\u00e3o se podendo (como alguns gostariam ou simplesmente tentam fazer) conformar a realidade aos mesmos pressupostos, a interven\u00e7\u00e3o poder\u00e1 n\u00e3o produzir os efeitos inicialmente pretendidos.<br \/>\nAcho, contudo, que n\u00e3o convenci o meu interlocutor. Vai da\u00ed, passei ao segundo \u201cartif\u00edcio\u201d habitual do economista, a famosa condi\u00e7\u00e3o \u201cceteris paribus\u201d ou \u201ccom tudo o resto constante\u201d. Em Economia, habitualmente lan\u00e7amos m\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es entre duas vari\u00e1veis, assumindo que as demais n\u00e3o se alteram. Ora, o problema \u00e9 que a realidade \u00e9 muito mais complexa e dificilmente encontramos apenas varia\u00e7\u00f5es de um par de elementos. E assim sendo, estaria aqui uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para o desconforto entre uma teoria macroecon\u00f3mica consistente e uma pr\u00e1tica macroecon\u00f3mica com resultados muito aqu\u00e9m do desej\u00e1vel.<br \/>\nA tentativa de explica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o foi muito convincente. De forma que restou-me assumir que a verdadeira raz\u00e3o para t\u00e3o ilustres economistas terem falhado (e muitas vezes de forma rotunda) se tinha de encontrar fora da Economia. Talvez o verdadeiro motivo residisse na \u00e1rea da pol\u00edtica, qui\u00e7\u00e1 na componente mais politiqueira: afinal de contas, o que verdadeiramente move muitos governos \u00e9 a perspectiva da continuidade no poder e isso tem custos substanciais, desde os famosos \u201cjobs for the boys\u201d \u00e0 n\u00e3o conten\u00e7\u00e3o com os poderes mais relevantes.<br \/>\nOu seja, os economistas em causa n\u00e3o ter\u00e3o falhado por uma m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o da teoria macroecon\u00f3mica e esta continuar\u00e1 a ser v\u00e1lida, mas porque as condi\u00e7\u00f5es de vida democr\u00e1tica em Portugal continuam, quase quatro d\u00e9cadas depois da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, muito aqu\u00e9m do expect\u00e1vel. O interesse partid\u00e1rio e individual continua, com frequ\u00eancia, a superar o real interesse nacional. Pelo que a Eduardo Catroga, Vitor Bento ou qualquer outro economista reputado que venha a ser o pr\u00f3ximo Ministro das Finan\u00e7as, o que posso desejar \u00e9 t\u00e3o s\u00f3, \u201cceteris paribus\u201d, que saiba lidar melhor com as press\u00f5es da politiquice...<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Henrique Alves, Vis\u00e3o on line, A situa\u00e7\u00e3o que descrevo de seguida passou-se h\u00e1 relativamente pouco tempo, quando ministrava uma forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da Economia. 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