{"id":1005,"date":"2011-03-03T00:00:00","date_gmt":"2011-03-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1005"},"modified":"2015-12-04T19:19:18","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:18","slug":"revolucao-e-corrupcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1005","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o e Corrup\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/revolucao-e-corrupcao=f592767\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/VisaoE111.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Assim como a natureza tem leis cuja viola\u00e7\u00e3o p\u00f5e em causa as condi\u00e7\u00f5es de vida, tamb\u00e9m a sociedade tem regras e princ\u00edpios de funcionamento que, quando violados, geram conflitos, situa\u00e7\u00f5es irresol\u00faveis, contradi\u00e7\u00f5es, enfim rupturas.<!--more--><br \/>\nDurante os \u00faltimos trinta anos o liberalismo econ\u00f3mico gerou ideologia e funcionou como se fosse poss\u00edvel o jogo alquimista de \u201ctransformar lat\u00e3o em ouro\u201d, agravar as desigualdades econ\u00f3micas, transferir os encargos do funcionamento da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sociedade para os que menos t\u00eam. Os Estados acreditaram que os mercados financeiros eram o melhor local para se financiarem e que o podiam fazer como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3. Enfim o sistema financeiro desenvolveu-se muito para al\u00e9m do que a cria\u00e7\u00e3o de rendimento permitia, criando simultaneamente circuitos paralelos de funcionamento, esquemas de fraude e corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs institui\u00e7\u00f5es sociais dominantes, numa harmonia canibalesca entre o econ\u00f3mico e o pol\u00edtico, esqueceram-se de que em algum momento as d\u00edvidas t\u00eam de ser pagas. Esqueceram-se da for\u00e7a imensa da vontade popular e que a resist\u00eancia humana \u00e0s desigualdades tem limites, que ela \u00e9 tanto mais d\u00e9bil quando as injusti\u00e7as e a imoralidade campeiam por todo o lado.<br \/>\nA ilus\u00e3o de \u201ctransformar lat\u00e3o em ouro\u201d gerou a crise que vivemos. As desigualdades e as injusti\u00e7as geraram um ambiente social explosivo e as revolu\u00e7\u00f5es reapareceram. Crise e revolu\u00e7\u00e3o, duas realidades que muitos sonhavam mortas e que a\u00ed est\u00e3o a manifestar a sua for\u00e7a.<br \/>\nA fraude e a corrup\u00e7\u00e3o surgem neste duplo momento de ruptura: a crise, quando a distribui\u00e7\u00e3o de rendimentos exige produ\u00e7\u00e3o, e a revolu\u00e7\u00e3o, quando os homens sem voz exigem ser ouvidos e decidem fazer hist\u00f3ria.<br \/>\n2. A liberdade e a paz s\u00e3o fundamentos imprescind\u00edveis da dignidade humana. A fome, o agravamento do custo de vida, o desemprego, a precariedade do emprego e os baixos sal\u00e1rios afligem o corpo. A inseguran\u00e7a perante a doen\u00e7a, a incerteza do futuro, a ren\u00fancia do bem comum pelo Estado e as desigualdades sociais afligem a alma.<br \/>\nOs atentados \u00e0 dignidade humana, os flagelos do corpo e as ang\u00fastias da alma criam condi\u00e7\u00f5es para din\u00e2micas sociais muito contradit\u00f3rias: a resigna\u00e7\u00e3o ou o inconformismo; a apatia ou a revolta. O caminho a seguir depende de uma multiplicidade de factores hist\u00f3ricos que s\u00f3 depois de acontecerem poder\u00e3o ser correctamente analisados. Uma fa\u00edsca imprevis\u00edvel pode ser o rastilho que tra\u00e7ar\u00e1 o caminho.<br \/>\nA fa\u00edsca que acende o rastilho frequentemente beneficia da carga social negativa que a constata\u00e7\u00e3o da imoralidade comporta.<br \/>\nEm 1974, quando da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa, essa constata\u00e7\u00e3o da imoralidade irrompe no Programa das For\u00e7as Armadas: \u201cconsiderando (\u2026) que a sua [do MFA] ac\u00e7\u00e3o se justifica (\u2026) para o saneamento das institui\u00e7\u00f5es, para a moraliza\u00e7\u00e3o dos nossos costumes pol\u00edticos (\u2026)\u201d; \u201cO Governo Provis\u00f3rio lan\u00e7ar\u00e1 os fundamentos duma nova pol\u00edtica social que, em todos os dom\u00ednios, ter\u00e1 essencialmente como objectivos a defesa dos interesses da classe trabalhadora e o aumento progressivo, mas acelerado, da qualidade de vida dos Portugueses\u201d.<br \/>\nSurge igualmente no programa dos dois partidos ent\u00e3o existentes. O Partido Comunista reafirma que \u201cos objectivos fundamentais da revolu\u00e7\u00e3o socialista s\u00e3o a aboli\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem\u201d (1974). O Partido Socialista condena violentamente essa mesma explora\u00e7\u00e3o, afirma\u00e7\u00e3o hoje de valor arqueol\u00f3gico: \u201cO PS combate o sistema capitalista (\u2026); o neocapitalismo [n\u00e3o] conseguir\u00e1 instaurar uma sociedade inspirada pelos ideais da igualdade social, antes vai agravando, sob formas insidiosas, a explora\u00e7\u00e3o do maior n\u00famero pela minoria. (\u2026) [O PS]repudia enganadoras miragens de sociedades que s\u00f3 formalmente se apresentam como democr\u00e1ticas, e se definem como sociedades de consumo, quando na realidade refor\u00e7am a desigualdade entre os homens e frustram as suas mais leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es, nem sequer oferecendo uma solu\u00e7\u00e3o cabal ao problema da mis\u00e9ria\u201d (1973).<br \/>\nOs enunciados em torno da injusti\u00e7a e do \u201ccompadrio\u201d acompanharam frequentemente os processos revolucion\u00e1rios.<br \/>\n3. Com o liberalismo o homem deixou de ser a raz\u00e3o central da vida em sociedade. A economia paralela alastra-se e com ela outras formas de comportamento moralmente conden\u00e1veis. A corrup\u00e7\u00e3o corr\u00f3i os interst\u00edcios morais da sociedade, assume propor\u00e7\u00f5es violentas e a sua percep\u00e7\u00e3o abala a alma da sociedade.<br \/>\nO combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o surge frequentemente como uma das palavras de ordem nas movimenta\u00e7\u00f5es populares. Mais uma vez tem estado presente nas movimenta\u00e7\u00f5es recentes. \u201cCorrup\u00e7\u00e3o, desigualdades e pobreza s\u00e3o os motores da revolta no Egipto\u201d afirmava recentemente uma reportagem televisiva. A aprecia\u00e7\u00e3o segue o mesmo rumo na observa\u00e7\u00e3o dos acontecimentos na L\u00edbia: \u201cpa\u00eds marcado por petr\u00f3leo, corrup\u00e7\u00e3o e abuso do poder\u201d.<br \/>\n4. Em Portugal nunca poderemos dizer \u201cdesta \u00e1gua n\u00e3o beberei\u201d depois de tanto tempo a beber \u00e1gua inquinada.<br \/>\nO que podemos afirmar inequivocamente \u00e9 que a corrup\u00e7\u00e3o tem aumentado na \u00faltima d\u00e9cada. A sua percep\u00e7\u00e3o provoca crescente ang\u00fastia social. \u00c9 o Banco Mundial que o comprova.<br \/>\nO que podemos afirmar inequivocamente \u00e9 que surgem novas formas de luta contra a corrup\u00e7\u00e3o que v\u00e3o da crescente edi\u00e7\u00e3o de documentos sobre o desgoverno e os neg\u00f3cios obscuros at\u00e9 \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o para uma manifesta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das redes sociais.<br \/>\nParafraseando Victor Hugo, a luta contra a corrup\u00e7\u00e3o pode ser fa\u00edsca, \u201cdas fa\u00edscas vem o fogo, do fogo brota a luz\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Vis\u00e3o on line, 1. Assim como a natureza tem leis cuja viola\u00e7\u00e3o p\u00f5e em causa as condi\u00e7\u00f5es de vida, tamb\u00e9m a sociedade tem regras e princ\u00edpios de funcionamento que, quando violados, geram conflitos, situa\u00e7\u00f5es irresol\u00faveis, contradi\u00e7\u00f5es, enfim rupturas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-1005","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1005"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1005\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8310,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1005\/revisions\/8310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}