{"id":1003,"date":"2011-02-17T00:00:00","date_gmt":"2011-02-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1003"},"modified":"2015-12-04T19:19:19","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:19","slug":"o-novo-regime-geral-das-taxas-das-autarquias-locais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1003","title":{"rendered":"O novo regime geral das taxas das autarquias locais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Mariana Costa, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/o-novo-regime-geral-das-taxas-das-autarquias-locais=f590483\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/VisaoE109.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Lei n.\u00ba 53-E\/2006, de 29 de Dezembro veio aprovar o novo regime geral das taxas das autarquias locais (RGTAL). O seu principal objectivo foi criar finalmente mecanismos de controlo \u00e0s taxas praticadas pelas autarquias locais, controlo esse que era praticamente inexistente.<!--more--><br \/>\nA taxa caracteriza-se por ser uma presta\u00e7\u00e3o coactiva devida a um ente p\u00fablico, distinguindo-se dos impostos por ser dotada de natureza comutativa, isto \u00e9, por constituir uma contrapresta\u00e7\u00e3o devida por um servi\u00e7o ou utilidade que a entidade p\u00fablica prestou \u00e0quele que tem de a pagar. Nos termos do artigo 3.\u00ba do RGTAL, a cobran\u00e7a de uma taxa pela autarquia local pode ter na sua origem uma de tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es: i) a presta\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o pela autarquia; ii) a utiliza\u00e7\u00e3o privada de bens do dom\u00ednio p\u00fablico e privado da autarquia ou iii) a remo\u00e7\u00e3o de um obst\u00e1culo jur\u00eddico ao comportamento dos particulares, quando tal seja atribui\u00e7\u00e3o da autarquia, nos termos da lei.<br \/>\nPor for\u00e7a do princ\u00edpio da equival\u00eancia jur\u00eddica (tamb\u00e9m designado princ\u00edpio do ganho privado), previsto no artigo 4.\u00ba do RGTAL, o valor das taxas tem de ser fixado em fun\u00e7\u00e3o do custo da actividade para o ente p\u00fablico ou do benef\u00edcio auferido por aquele que dela aproveita.<br \/>\nDe entre as inova\u00e7\u00f5es trazidas pela Lei n.\u00ba 53-E\/2006, aquela que mais se destaca diz respeito \u00e0s novas exig\u00eancias legais para cria\u00e7\u00e3o das taxas das autarquias, estatu\u00eddas no artigo 8.\u00ba. Assim, o regulamento de cria\u00e7\u00e3o das taxas das autarquias locais tem de conter, sob pena de nulidade: \u201ca) A indica\u00e7\u00e3o da base de incid\u00eancia objectiva e subjectiva; b) O valor ou a f\u00f3rmula de c\u00e1lculo do valor das taxas a cobrar; c) A fundamenta\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-financeira relativa ao valor das taxas, designadamente os custos directos e indirectos, os encargos financeiros, amortiza\u00e7\u00f5es e futuros investimentos realizados ou a realizar pela autarquia local; d) As isen\u00e7\u00f5es e a sua fundamenta\u00e7\u00e3o; e) O modo de pagamento e outras formas de extin\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria admitidas; f) A admissibilidade do pagamento em presta\u00e7\u00f5es.\u201d Estes regulamentos t\u00eam ainda de fixar as regras relativas \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a das taxas (artigo 10.\u00ba do RGTAL).<br \/>\n\u00c9 de louvar a iniciativa legislativa em causa e as preocupa\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia nela \u00ednsitas. Sen\u00e3o analisem-se algumas das tabelas de taxas anteriores \u00e0 Lei n.\u00ba 53-E\/2006 e verifique-se a hipertrofia de taxas e de isen\u00e7\u00f5es, a confus\u00e3o entre taxas e pre\u00e7os de direito privado e sobretudo a falta de conformidade entre o custo da actividade p\u00fablica local e\/ou o benef\u00edcio auferido pelo particular e o valor concreto da taxa.<br \/>\nSucede por\u00e9m que as boas leis de pouco ou nada servem sem uma correcta aplica\u00e7\u00e3o e sindic\u00e2ncia. A acentuada diversidade de dimens\u00e3o das autarquias locais em Portugal, associada \u00e0 escassez de meios t\u00e9cnicos e humanos qualificados, a deficientes dados contabil\u00edsticos e \u00e0 actual crise financeira vieram adiar sucessivamente a obrigatoriedade dos regulamentos de taxas vigentes obedecerem \u00e0s exig\u00eancias do artigo 8.\u00ba, o que veio a acontecer em 30 de Abril de 2010 (Lei n.\u00ba 117\/2009, de 29 de Dezembro).<br \/>\nOra, decorridos quase 10 meses sobre esta data imp\u00f5e-se uma avalia\u00e7\u00e3o. Conseguiu o RGTAL efectivamente purgar as anteriores tabelas de taxas da multiplica\u00e7\u00e3o de tributos associados a uma mesma actividade da autarquia ou dos pre\u00e7os de direito privado? Ou ainda, qual a rela\u00e7\u00e3o que existe entre os estudos de fundamenta\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-financeira e os valores efectivos das taxas que est\u00e3o a ser cobrados? E qual o rigor\/credibilidade dos dados constantes desses mesmos estudos de fundamenta\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-financeira? E qual o peso que a possibilidade de introduzir um coeficiente de desincentivo \u00e0 pr\u00e1tica de certos actos ou opera\u00e7\u00f5es (artigo 4.\u00ba, n.\u00ba 2 RGTAL) est\u00e1 efectivamente a ter?<br \/>\nA resposta concertada a n\u00edvel nacional \u00e0s quest\u00f5es colocadas acima permitir-nos-\u00e1 avaliar do impacto efectivo do RGTAL no aumento da transpar\u00eancia na cobran\u00e7a de taxas pelas autarquias locais. At\u00e9 l\u00e1, sugerimos a an\u00e1lise do estudo efectuado por Manuela Costa e Sara Serra, do Instituto Polit\u00e9cnico do C\u00e1vado e do Ave, com respeito aos novos regulamentos de taxas das autarquias locais de Guimar\u00e3es, Esposende, Ponte da Barca e Vizela (A aplica\u00e7\u00e3o da Lei n.\u00ba 53-E\/2006 nas autarquias locais: principais conclus\u00f5es, dispon\u00edvel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Costa, Vis\u00e3o on line, A Lei n.\u00ba 53-E\/2006, de 29 de Dezembro veio aprovar o novo regime geral das taxas das autarquias locais (RGTAL). 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