{"id":1001,"date":"2011-02-03T00:00:00","date_gmt":"2011-02-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1001"},"modified":"2015-12-04T19:19:19","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:19","slug":"a-auditoria-e-o-recente-livro-verde-ou-cartao-amarelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1001","title":{"rendered":"A auditoria e o recente livro &#8220;verde&#8221;&#8230; ou (cart\u00e3o) &#8220;amarelo&#8221; ?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Nuno Moreira, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-auditoria-e-o-recente-livro-verde-ou-cartao-amarelo=f588680\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/VisaoE107.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Com maior \u00eanfase na \u00faltima d\u00e9cada, podemos constatar que tem vindo a ser questionado ami\u00fade o real valor de uma auditoria, como resultado das sucessivas fraudes e esc\u00e2ndalos financeiros, um pouco por todo o mundo, com repercuss\u00f5es nos mercados de capitais, na confian\u00e7a dos seus investidores mas tamb\u00e9m, e sobretudo, na nossa sociedade. Mais recentemente, a pr\u00f3pria crise financeira internacional em que muitos bancos acabaram por reconhecer grandes perdas financeiras no que respeita a posi\u00e7\u00f5es que detinham dentro e fora do balan\u00e7o em determinados per\u00edodos, levanta a quest\u00e3o de saber como \u00e9 que os auditores puderam emitir relat\u00f3rios de auditoria completamente \"limpos\". Poderemos falar em \"falhan\u00e7os\" da auditoria ou s\u00e3o apenas situa\u00e7\u00f5es onde a auditoria \"tradicional\", pela sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegou l\u00e1?<!--more--><br \/>\n2. Desde j\u00e1, e no entretanto, podemos afirmar sem grande margem de erro que a fun\u00e7\u00e3o de auditoria j\u00e1 saiu disto tudo algo \"beliscada\". Inequivocamente, tem vindo a aumentar o gap entre aquilo que \u00e9 esperado da fun\u00e7\u00e3o de auditoria e aquilo que ela tem efectivamente proporcionado no \u00e2mbito do seu mandato social. Atenta a isto mesmo, a Comiss\u00e3o Europeia toma uma vez mais a iniciativa e lan\u00e7a um oportuno Livro Verde - Audit Policy: Lessons from the Crisis - o qual colocou \u00e0 discuss\u00e3o p\u00fablica at\u00e9 ao in\u00edcio do passado m\u00eas de Dezembro. Este livro verde levanta um conjunto muito abrangente e pertinente de quest\u00f5es, entre as quais, sobre o pr\u00f3prio \"Papel do Auditor\". \u00c9 de congratular a Comiss\u00e3o Europeia pela iniciativa e cumulativa disponibilidade para liderar o debate a n\u00edvel internacional sobre a \u00e2mbito e a fun\u00e7\u00e3o de auditoria, necess\u00e1rios ao contexto actual dos mercados financeiros e realidade socioecon\u00f3mica.<br \/>\n3. Fazendo aqui algumas considera\u00e7\u00f5es acerca das quest\u00f5es levantadas no Livro Verde, no \u00e2mbito do referido \"Papel do Auditor\", \u00e9 interessante, a t\u00edtulo preliminar, ver o que \u00e9 referido e\/ou assumido no pr\u00f3prio documento colocado \u00e0 discuss\u00e3o. Podemos constatar desde logo que \u00e9 assumido expressamente que a auditoria tem limita\u00e7\u00f5es e que as partes interessadas poder\u00e3o n\u00e3o ter conhecimento delas, a saber, a materialidade, o uso de t\u00e9cnicas de amostragem, o papel do auditor na detec\u00e7\u00e3o de fraudes e responsabilidades da ger\u00eancia.<br \/>\nNo meu entender, a comunica\u00e7\u00e3o com o exterior tem sido deficiente. Creio que tem havido receio de explicar adequadamente aos utilizadores da informa\u00e7\u00e3o financeira a metodologia utilizada numa auditoria e, sobretudo, as referidas limita\u00e7\u00f5es do trabalho e subjacente seguran\u00e7a \"razo\u00e1vel\" (e n\u00e3o absoluta) proporcionada.<br \/>\nPorqu\u00ea este receio? Ao ler o contributo dado pela nossa Comiss\u00e3o Nacional de Supervis\u00e3o de Auditoria (CNSA), na sua resposta \u00e0 quest\u00e3o n\u00ba 5 levantada no Livro Verde, percebemos: \"\u2026a explicita\u00e7\u00e3o da metodologia n\u00e3o dever\u00e1 levar \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de que uma auditoria possa n\u00e3o acrescentar credibilidade \u00e0 informa\u00e7\u00e3o financeira prestada, por demasiado enfoque nas limita\u00e7\u00f5es ou por risco de menor percep\u00e7\u00e3o de compromisso no resultado final\".<br \/>\n4. Naturalmente, com algum bom senso na comunica\u00e7\u00e3o a adoptar com o exterior, n\u00e3o deve haver receio de falar nestas limita\u00e7\u00f5es. Isto porque, se nada for dito e explicado, a descredibiliza\u00e7\u00e3o da auditoria ser\u00e1 muito mais prov\u00e1vel. Algo tem que ser feito no sentido de melhorar a percep\u00e7\u00e3o do valor acrescentado de uma auditoria.<br \/>\nAl\u00e9m de melhorar a visibilidade da metodologia de um trabalho de auditoria, outra op\u00e7\u00e3o pode e deve ser tomada; como alternativa ou conjuntamente.<br \/>\nPara determinado tipo de Organiza\u00e7\u00f5es, a auditoria deve ponderar seriamente o alargamento do seu \u00e2mbito e das suas responsabilidades. E, sempre que o fizer, tamb\u00e9m os seus pressupostos e metodologia ter\u00e3o que ser ajustados. Concretamente, parece-me uma boa op\u00e7\u00e3o em termos estrat\u00e9gia futura para a fun\u00e7\u00e3o de Auditoria o seguinte:<br \/>\n\"Sempre que estiver em causa um trabalho de auditoria a desenvolver numa empresa cotada, no sector financeiro, no sector segurador, em grandes empresas p\u00fablicas, etc., ou seja, nas denominadas \"Entidades de Interesse P\u00fablico\", a equipa de auditoria deveria obrigatoriamente integrar um especialista em fraude, devidamente reconhecido e certificado (Fraud Examiner ou Forensic Accountant). De salientar que, as actuais normas de auditoria internacionais, j\u00e1 \"autorizam\" e recomendam mesmo, sempre que aplic\u00e1vel, o uso destes especialistas (Forensics). No essencial, o trabalho desenvolvido por estes especialistas seria uma extens\u00e3o ou complemento do trabalho de auditoria, colmatando significativamente as limita\u00e7\u00f5es de uma auditoria \"tradicional\". Sendo, desta forma e em grande parte, as limita\u00e7\u00f5es mitigadas, este facto, n\u00e3o deixaria tamb\u00e9m de eliminar os receios de produzir relat\u00f3rios de auditoria mais abrangentes e pormenorizados (long form reports). Esta op\u00e7\u00e3o, seria um elemento-chave para aumentar a efic\u00e1cia de uma auditoria nestas entidades e, consequentemente, restabelecer a confian\u00e7a nos e dos mercados, reduzindo tamb\u00e9m o gap de expectativas entre os diferentes stakeholders.<br \/>\n5. Por outro lado, nas outras entidades, de menor dimens\u00e3o (essencialmente PME\u00b4s), obrigadas por lei a proceder \u00e0 sua revis\u00e3o oficial de contas, a rela\u00e7\u00e3o custo\/benef\u00edcio do uso de especialistas de fraude n\u00e3o seria, certamente, favor\u00e1vel e, consequentemente, n\u00e3o faria sentido; o pr\u00f3prio \"interesse p\u00fablico\" destas entidades existe mas \u00e9, naturalmente, menor. J\u00e1 no que respeita \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o com o exterior (relat\u00f3rios de auditoria), deveria tamb\u00e9m aqui haver um esfor\u00e7o para a melhorar. Neste tipo de entidades, \u00e9 evidente que uma auditoria continua a proporcionar uma maior credibilidade da informa\u00e7\u00e3o financeira. No entanto, fazendo o confronto deste benef\u00edcio com os respectivos gastos administrativos, pode n\u00e3o ficar t\u00e3o claro a utilidade da mesma. Aqui a auditoria, atrav\u00e9s de um relat\u00f3rio ajustado, do tipo long form, poderia transcender o seu contexto habitual e pronunciar-se, por exemplo, acerca do risco de insolv\u00eancia, numa vertente prospectiva; afinal o auditor tem acesso a informa\u00e7\u00e3o privilegiada de suporte a este tipo de an\u00e1lises. Para citar apenas este exemplo, na nossa realidade portuguesa seria um contributo assinal\u00e1vel se isto fosse feito de forma atempada pelos auditores. N\u00e3o \u00e9 de ignorar a realidade de mais de uma dezena de insolv\u00eancias por dia em Portugal, parte delas obrigadas a revis\u00e3o oficial de contas. Estando a ser questionado a n\u00edvel europeu o valor acrescentado de uma auditoria \"tradicional\" em entidades mais pequenas, n\u00e3o ser\u00e1 este um bom exemplo de como a auditoria poderia tornar mais vis\u00edvel a sua utilidade neste tipo de entidades?<br \/>\n\"\u00c9 chegada a altura de avaliar o real desempenho desse mandato social\"<br \/>\n(GREEN PAPER - Audit Policy: Lessons from the Crisis)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Moreira, Vis\u00e3o on line, 1. Com maior \u00eanfase na \u00faltima d\u00e9cada, podemos constatar que tem vindo a ser questionado ami\u00fade o real valor de uma auditoria, como resultado das sucessivas fraudes e esc\u00e2ndalos financeiros, um pouco por todo o mundo, com repercuss\u00f5es nos mercados de capitais, na confian\u00e7a dos seus investidores mas tamb\u00e9m, e&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1001\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-1001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1001"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8302,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1001\/revisions\/8302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}